A
supremacia do amor incondicional tem o seu desfecho embalado pela dor maior de
constatar a ausência daquele membro da família que foi um convidado diferente
para a festa do lar.
A
diferença de compartilhar todos os nossos momentos sem ter uma tão desejada voz
de consolo para os difíceis e turbulentos. São a própria expressão da
passividade e submissão à vontade dos humanos que o adotaram.
Os
mais sensíveis choram e nem mesmo o amparo consolador da consciência tranquila
pelo bom trato é suficiente para sublimar a sensação de ausência irreparável
para os dias futuros. O vazio se instala.
A
opção da substituição ganha um vigor inesperado para amenizar a dor
inscrustrada na memória através do desfile de bons momentos vividos como o
socorro na doença através de inúmeras visitas ao veterinário, a saudação
matinal com o abanar de rabo, as manifestações de fidelidade inquestionável,
enfim, flashes da trajetória de vida desde a adoção ao desenlace.
Substituir
para passar novamente por essa experiência é a escolha dos que se doam, pois a
adoção caridosa é o melhor início de um novo ciclo de amor recíproco porque
eles sabem retribuir com grande intensidade a gratidão por terem sido livrados das
agruras do abandono e da exposição à crueldade das ruas dos grandes centros
urbanos.
A
esperança do reencontro vale para os espiritualizados pois a sabedoria das
divindades não privaria de existência em outro plano seres tão especiais.
Nunca.
Lágrimas
e ação para adotar o próximo convidado formam uma combinação maravilhosa. Todos
os que agem dessa forma estarão lançando créditos enormes para a paz de
consciência e contabilidade da vida.
Omar
Manzanares
Assessoria
de Imprensa para o Mundo Animal
