domingo, 20 de julho de 2014

- QUANDO ELES MORREM...


A supremacia do amor incondicional tem o seu desfecho embalado pela dor maior de constatar a ausência daquele membro da família que foi um convidado diferente para a festa do lar.


A diferença de compartilhar todos os nossos momentos sem ter uma tão desejada voz de consolo para os difíceis e turbulentos. São a própria expressão da passividade e submissão à vontade dos humanos que o adotaram.


Os mais sensíveis choram e nem mesmo o amparo consolador da consciência tranquila pelo bom trato é suficiente para sublimar a sensação de ausência irreparável para os dias futuros. O vazio se instala.


A opção da substituição ganha um vigor inesperado para amenizar a dor inscrustrada na memória através do desfile de bons momentos vividos como o socorro na doença através de inúmeras visitas ao veterinário, a saudação matinal com o abanar de rabo, as manifestações de fidelidade inquestionável, enfim, flashes da trajetória de vida desde a adoção ao desenlace.

Substituir para passar novamente por essa experiência é a escolha dos que se doam, pois a adoção caridosa é o melhor início de um novo ciclo de amor recíproco porque eles sabem retribuir com grande intensidade a gratidão por terem sido livrados das agruras do abandono e da exposição à crueldade das ruas dos grandes centros urbanos.


A esperança do reencontro vale para os espiritualizados pois a sabedoria das divindades não privaria de existência em outro plano seres tão especiais. Nunca.


Lágrimas e ação para adotar o próximo convidado formam uma combinação maravilhosa. Todos os que agem dessa forma estarão lançando créditos enormes para a paz de consciência e contabilidade da vida.

  

Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal