Infelizmente
temos que conviver com a grande dúvida de questionar se a bondade está
implícita na natureza humana quando, em tempos de crise, sólidos pilares do
caráter parecem sucumbir diante do terremoto da maldade.
Quando se
trata de proteção animal, é evidente que a expressão “O silêncio dos inocentes”
que já foi título de filme, ganha uma
dimensão avassaladora quando nos referimos aos cães cuja fidelidade à espécie
humana acaba se transformando num sofrimento atroz e oculto sob o manto do
silêncio seja pela falta de denúncia de atos cruéis ou pela omissão em ajudar
entidades protetoras que promovem resgate e abrigo aos abandonados.
Esses
voluntários do bem são nossos “procuradores” quando nossa consciência nos
impele a concluir que apenas a compaixão é insuficiente. A ação piedosa é
necessária quando o óbvio nos aponta que
o sentido pleno de palavra “abrigo” abrange alimentação e cuidados através de
veterinários. O óbvio parece ser um mal necessário quando representa uma
redundância para dar respaldo ao bem.
Sim, a
materialidade das intenções é a ferramenta que temos que disponibilizar aos
nossos irmãos voluntários dessas entidades através das doações, um quesito
eterno em todos os sites de grupos voltados para o resgate da dignidade dos
nossos queridos cães, os irmãos irracionais mais expostos ao abandono aqui nos
trópicos onde as leis, apesar de recentes evoluções, representam um passaporte
para impunidade aos cruéis que mesmo cientes da quantidades de câmeras
instaladas na ruas dos grandes centros urbanos, promovem o abandono com a
desfaçatez turbinada pela certeza da impunidade. Um equívoco lamentável porque,
considerando a justiça divina, representa um tiro no pé com espingarda de cano
duplo.
Não há competição
em termos de cifras. Quando a intenção é sublime o menor dos valores é
grandioso quando simboliza a nobreza de um sentimento como a compaixão
consciente que nos brinda com a paz de uma missão cumprida através da caridade
genérica e abrangente para os animais sob o amparo das entidades. Sem elas,
nossos sentimentos de carinho aos abandonados seriam uma intenção previamente
frustrada devido à ausência de efeitos práticos como o resgate.
“Envidar”
é um verbo mágico quando está sempre acompanhado do substantivo “esforço” na grande maioria
dos textos formais ou informais. Envidar um esforço significa intensificar as
forças físicas e intelectuais para a realização de um projeto.
O amor ao
próximo irracional é o projeto revestido da maior dignidade para a espécie
humana porque não há expectativa de retorno material.
Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal
