domingo, 5 de outubro de 2014

- A EXALTAÇÃO DA BESTIALIDADE HUMANA


 

Que o caro leitor não se iluda ao classificar como "avanço" a proibição das touradas na Catalunha, o berço da intelectualidade da Espanha e um manancial de ícones das diversas artes plásticas.
 
A carga brutal de hipocrisia contida nessa "proibição" é revelada pela permissão de manutenção  do Correbous sob o pretexto de que pertence ao "patrimônio cultural da Catalunha".

O que é o Correbous ?

Vamos lá digitar essa informação com a dose taurina de repugnância que essa descrição envolve :

Trata-se de uma "fiesta" muito popular no sul da região catalã quando um touro é solto pelas ruas da cidade colocando previamente em seus chifres um dispositivo metálico com material combustível. O animal enlouquecido pelo calor sobre sua cabeça investe para todos os lados tentando livrar-se da tortura.

Ah, sim. Não matam o touro.

A estupidez contida na alegação de que a vida do touro é poupada é realmente estarrecedora como se o verbete "tortura" fosse excluido do saco de maldades da espécie humana.

A bestialidade humana da Península Ibérica é perniciosa, pois é alimentada pela quantidade de turistas brasileiros que vão lá deixar os seus euros para prestigiar essa "festa" infestada de ausência de compaixão por seres vivos. Desculpas pelo trocadilho.

A barbárie do entrenimento é tão atroz quanto a atividade sinistra de matadouros clandestinos que proliferam por este nosso imenso território com uma diferença estupidamente interessante: é o sadismo que diverte.

Enquanto agentes de turismo brasileiros incluirem em seus programas as touradas e o abominável  Correbous  teremos a alimentação financeira desse excremento turístico que permanece a pleno vapor no século XXI.

Com tantos museus que evidenciam o período  áureo da Espanha como uma "linha de produção" de obras que são de uma preciosidade ímpar, temos que deglutir esse desvio para as arenas.

Museus são  um entretenimento estático e a tourada é dinâmica ?

Sim, a tourada é tão dinâmica quando o jato de sangue do pobre animal ao sofrer a penetração da espada do herói de roupa extravagante e chapéu ridículo.

Talvez a única chance que os pobres bovinos tiveram de se sentir "vingados" foi durante a Guerra Civil Espanhola quando humanos mataram humanos com o mesmo grau de crueldade e não aprenderam a lição de que desgraças não vem de graça pois é uma questão de tempo para saborear os frutos que plantamos. Uma vez mais, desculpas pelo trocadilho...
  
Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal