Que
o caro leitor não se iluda ao classificar como "avanço" a proibição
das touradas na Catalunha, o berço da intelectualidade da Espanha e um
manancial de ícones das diversas artes plásticas.
A
carga brutal de hipocrisia contida nessa "proibição" é revelada pela
permissão de manutenção do Correbous sob
o pretexto de que pertence ao "patrimônio cultural da Catalunha".
O
que é o Correbous ?
Vamos
lá digitar essa informação com a dose taurina de repugnância que essa descrição
envolve :
Trata-se
de uma "fiesta" muito popular no sul da região catalã quando um touro
é solto pelas ruas da cidade colocando previamente em seus chifres um
dispositivo metálico com material combustível. O animal enlouquecido pelo calor
sobre sua cabeça investe para todos os lados tentando livrar-se da tortura.
Ah,
sim. Não matam o touro.
A
estupidez contida na alegação de que a vida do touro é poupada é realmente
estarrecedora como se o verbete "tortura" fosse excluido do saco de
maldades da espécie humana.
A
bestialidade humana da Península Ibérica é perniciosa, pois é alimentada pela
quantidade de turistas brasileiros que vão lá deixar os seus euros para
prestigiar essa "festa" infestada de ausência de compaixão por seres
vivos. Desculpas pelo trocadilho.
A
barbárie do entrenimento é tão atroz quanto a atividade sinistra de matadouros
clandestinos que proliferam por este nosso imenso território com uma diferença
estupidamente interessante: é o sadismo que diverte.
Enquanto
agentes de turismo brasileiros incluirem em seus programas as touradas e o
abominável Correbous teremos a alimentação financeira desse
excremento turístico que permanece a pleno vapor no século XXI.
Com
tantos museus que evidenciam o período
áureo da Espanha como uma "linha de produção" de obras que são
de uma preciosidade ímpar, temos que deglutir esse desvio para as arenas.
Museus
são um entretenimento estático e a
tourada é dinâmica ?
Sim,
a tourada é tão dinâmica quando o jato de sangue do pobre animal ao sofrer a
penetração da espada do herói de roupa extravagante e chapéu ridículo.
Talvez
a única chance que os pobres bovinos tiveram de se sentir "vingados"
foi durante a Guerra Civil Espanhola quando humanos mataram humanos com o mesmo
grau de crueldade e não aprenderam a lição de que desgraças não vem de graça
pois é uma questão de tempo para saborear os frutos que plantamos. Uma vez
mais, desculpas pelo trocadilho...
Omar
Manzanares
Assessoria de Imprensa para o
Mundo Animal
