“Bless
the beasts and the children,
For in this
world they have no voice
They have no choice”
(Abençoai os animais e as crianças
Pois neste mundo eles não tem voz
Eles não tem escolha)
Ao reproduzir acima um verso da canção gravada pelo
conjunto “The Carpenters” de 1971 com a voz magnífica de Karen Carpenter, é
automática a conclusão de que para os envolvidos na Causa Animal
(principalmente em resgates) a bestialidade humana é atroz e, infelizmente,
representa o gelo impossível de ser enxugado como usualmente se manifesta a
respeito o grande ativista Felipe Becari, Vereador paulistano e ícone da Causa.
Estrangeiros
ficam estarrecidos ao tomarem conhecimento de que no Brasil existe uma
cantiga infantil (“Atirei o pau no gato”) que descreve uma tentativa de matar
um pobre felino com o detalhe da lamentação de que o dito cujo não morreu. O
berro de sofrimento do gato é o destaque final da letra.
Não há como emitir comentários adicionais diante dessa
insensibilidade absurda...
Quando a violência sai do contexto representado
pela tortura física imposta aos animais e chega às crianças causa horror e indignação,
o que conduz ao raciocínio de que no caso dos animais há um toque de
“normalidade” em se tratando de irracionais cuja morte jamais será punida de
forma exemplar.
Não podemos conviver com esse conformismo que
procura diferenciar a dor humana da dor imposta aos nossos irmãos irracionais
num país onde a expressão “chutar o
cachorro” significa uma forma de desagravo diante de uma contrariedade em que o
humano não conseguiu “dar o troco” no seu adversário. Uma asneira verbal
absurda.
E la vou eu cair na tradicional mesmice de que a
denúncia é a arma a ser sacada contra os beócios torturadores de pets que fazem
da impunidade um festim diabólico. Não temos outra opção porque protetores
estão sempre onde deveriam estar : na defensiva quando o mais importante no
momento crucial da tortura é salvar a vítima, a criatura indefesa que dilacera
o nosso coração ao ser contemplada.
Os que chegam às lágrimas não são poucos. Seres
especiais dotados de compaixão. Enfim, uma casta cuja existência confirma que
divindades estarão sempre ao lado dos que tem a infelicidade de habitar o mesmo
planeta que os humanos, os caçadores de víceras para servir de alimento ou usam
a violência para entretenimento como ocorre na Espanha onde um toureiro “matador”,
um galã considerado símbolo sexual (José Maria Manzanares) tem o mesmo
sobrenome do autor deste texto. Trágica e inaceitável coincidência...
Omar
Manzanares
Assessoria de Imprensa para
o Mundo Animal
