quinta-feira, 24 de outubro de 2013

- SE EU FOSSE UM BEAGLE...


Faria com que a docilidade fosse uma característica inexistente em minha forma de ser, pois a crueldade costuma atrair para suas entranhas os que não reagem e acreditam que um ser racional jamais formaria uma parceria imbatível entre a insensibilidade e a ditadura da parte experimental da Ciência.

Chamaria a atenção dos humanos para as palavras “royal” e “real” da língua inglesa, as quais tem a mesma tradução para o nosso idioma, porém, há uma distância descomunal entre a nobreza da primeira e o realismo positivo ou negativo de uma situação transmitido pela segunda.

Faria qualquer esforço para convencer legisladores que um cativeiro onde eu e meus semelhantes somos privados do calor afetivo de uma família nada tem de “royal”. Seria a “real” ação de humanos destituídos de compaixão e respeito por outros seres vivos.

Agradeceria a ousadia compassiva de protetores que fazem da sua postura em relação à crueldade uma bandeira de luta para que meu sofrimento seja banido deste mundo imperfeito. Eles são a nobreza da espécie humana que merecem o “royal”.

Perguntaria de forma objetiva:

O que são tres séculos diante da quantidade incalculável de anos que registram a presença do “homo sapiens” no planeta ?

A resposta é  a base do argumento de que há apenas tres séculos existiam navios negreiros cuja tripulação lançava pobres criaturas ao mar quando a doença sinalizava a proximidade da morte, ou seja, a intensidade da crueldade nada difere daquela que transforma animais em cobaias. As vítimas são diferentes. O agente sempre o mesmo.

Estimularia os humanos a colocarem em prática uma lógica infalível para definir os sentimentos humanos:

Quem maltrata um animal jamais será uma pessoa merecedora da classificação de boa índole. A índole não se fragmenta em campos de atuação da vida, ou seja, de nada vale o sucesso nas relações humanas quando o fracasso no tratamento dos irmãos irracionais se transforma numa mancha repugnante.

 
Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa Para o Mundo Animal