É a
situação na qual a capacidade de se doar atinge o pico de intensidade. A
preocupação passa a ocupar nossa mente porque o cuidado personalizado e
caracterizado pelo amor iniciado na adoção ou resgate terá que ceder espaço de
convivência com a intervenção especializada de um profissional de medicina
veterinária.
Essa perda de controle sobre nosso pet talvez seja uma das experiências mais angustiantes e torna evidente que se trata de um membro da família que entrou em nossa vida para trazer momentos de encantamento, alegria e, no caso de idosos, a preciosa companhia.
Os
desencantos cristalizados por experiências marcadas pelas frustrações nas
relações humanas transformam em sofrimento a possibilidade de perda desse ser especial dotado de algo
totalmente ausente na espécie humana: o perdão instantâneo sem mágoa. O amor
incondicional embalado pela gratidão ao carinho recebido.
Ser
ridicularizado por essa preocupação exacerbada não é tão raro assim. Os pobres
de espírito vem com argumentos tradicionais de prioridade para humanos
abandonados quando sabemos que todos são criaturas de Deus e mesmo ateus e
agnósticos tem um respeito inquestionável pelos nossos irmãos irracionais.
Agir com
presteza e determinação para superação desse momento difícil nos transforma nos
agentes que estão no lado oposto ao da crueldade do abandono. Sim, somos seres
especiais com a aura de bondade que emana de nosso coração e teremos a paz de
consciência de haver tentado todas as alternativas para evitar o sofrimento e
um possível desenlace.
A vida
terá a sua sequência qualquer que seja o desfecho e o amparo consolador de uma
vida marcada pelo trato com carinho no que se refere à perda e um incentivo
gratificante na recuperação, será a bifurcação inevitável entre tantas na nossa
passagem pelo planeta.
Que seja
a melhor possível para o caro leitor.
Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal
