quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A CRUELDADE DE CAMA E MESA

 



 

De que é feito afinal o nosso coração ?

 

Uma pergunta perfeitamente cabível quando em nome da sofisticação a crueldade suprema é cometida com uma das vítimas favoritas : o ganso.

 

Infelizmente temos que entrar em detalhes para descrever esta barbárie que coloca em cheque qualquer vestígio de credibilidade de que a bondade é implícita na natureza humana.

 

Para produção do patê de fígado,a  pobre ave sofre um processo de engorda que dá início à atrocidade : tem um tubo de metal de 20 a 30 cm. introduzido em sua garganta até o estômago. Para que o patê de fígado tenha consistência, em poucos segundos uma quantidade absurda de milho desliza através do tubo para que o fígado alcance um tamanho dez vezes maior que o seu tamanho normal.

 

Paro por aqui ou vamos em frente ?

 

Temos que prosseguir porque o despertar da consciência protetora necessita de saber até que ponto a ganancia e a vaidade chegam para embalar de forma cruel os anseios gastronômicos de um bom gourmet.

 

A introdução do tubo na garganta  de forma violenta provoca reações de um semi-suicídio da ave que busca a asfixia e buscar uma perfuração letal no pescoço.

 

Com este suplício diário de engorda a ave tem seu fígado atrofiado atingindo dimensões de tortura, pois tem sua respiração dificultada e praticamente não consegue caminhar e são mantidos em gaiolas tão pequenas que não conseguem se manter em pé e muito menos fazer qualquer outro movimento.

 

O dia matança é o gran finale: chegam praticamente semi-mortos para serem eletrocutados e sangrados. As fêmeas que, segundo esses energúmenos, produz um fígado de melhor qualidade são, na maioria das vezes trituradas vivas.

 

Foie Gras....

                               

Que nome sofisticado para expressar até que ponto uma atrocidade chega até um cardápio que deve servir de iguaria a um paladar de tanta insensibilidade e que traz uma carga enorme de vergonha para a espécie humana. Temos que acreditar que não haverá impunidade para quem participa deste processo desde a “produção” até o consumo, pois caso contrário a justiça que se origina da divindade não teria sentido.

 

Amaldiçoados sejam  em nome da dedicação dos que amam e protegem nossos irmãos irracionais.

 

Outra ingenuidade consumista é acreditar que não há suplício para a confecção de travesseiros de penas de ganso. As penas não caem. Basta mencionar este detalhe para que a imaginação do leitor possa alcançar a forma cruel como são extraídas.

 

É impossível dormir com a consciência tranquila num travesseiro confeccionado com esse “material”.

 

Não é exagero fazer uso da  menção de uma expressão popular de que em nome do status alimentar e do conforto durante o sono, o ganso paga o pato...

 

Omar Manzanares

Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal