Os possuidores de cultura cosmopolita tem conhecimento que
a vida humana nos desertos do Oriente Médio é uma dádiva do camelo, o Camelus
Dromedarius, aquele que possui apenas uma corcova e surge com uma facilidade
espantosa nas fotos de turistas que visitam a região.
Trata-se
de uma confirmação inegável de que alguma força superior de natureza foi de um
capricho extremo na execução do “projeto” que culminou com a existência dessa
espécie que chega a caminhar 150 quilômetros numa jornada diária transportando
quase 200 kg.
Outros
detalhes enriqueceriam a cultura enciclopédica do leitor, porém, não é esse o
objetivo desta mensagem. A inexistência da gratidão humana é o foco central a
ser comentado nessa atuação do homem que prima pelo usofruto extremo desses
irmãos irracionais na sua capacidade de transporte e ultrapassando os limites
da racionalidade, inclui a carne de camelos jovens em cardápios de restaurantes de países árabes. Resumindo:
come o provedor da dádiva.
Alimentos
como a manteiga e o queijo derivados do leite da fêmea são insuficientes quando hábitos alimentares
predatórios são transmitidos de geração para geração através de uma cultura
milenar. O sofrimento no período “pré-abate” e o grito pungente no momento
extremo da morte violenta parecem ser convenientemente esquecidos na hora em
que temperos especiais são os grandes companheiros do homem armado com talheres
no ato final e consumado da crueldade
ingrata. O restaurante é o palco com cenário atrativo para ocultar da platéia o
processo sanguinário que levou o alimento até o prato.
Humanos
dotados de uma espiritualidade mais elevada já perceberam que o comentário
sobre o camelo é apenas uma menção necessária
para gerar o raciocínio de que a cultura de consumo da proteína animal é
extraordinariamente motivado pela ausência de exemplos com origem nas
celebridades. Exatamente aqueles que seriam a ferramentas nobres para reparar
milênios de crueldade.
O
Sumo Pontífice que nos visitou recentemente escapou de um churrasco na Granja
do Torto. Algo difícil de ocorrer para um Chefe de Estado (Vaticano) se
considerarmos que nem George Bush se safou dessa “iguaria” na penúltima visita
quando incluiu Brasilia no seu programa, porém, infelizmente, o cardápio do Papa no Mosteiro de São Bento
incluiu uma carne de vitela, o novilho com menos de um ano de idade criado nos
moldes ideais para satisfazer a bestialidade “gourmeteana” (gourmet+humana) de
quem o come.
Essa
inclusão merece uma reflexão, pois surgiu com a necessária aprovação prévia da
assessoria papal que participou de forma impositiva na preparação da visita.
Talvez a nacionalidade alemã do Papa, nascido num país que idolatra o joelho de
porco na culinária, explique essa
preferência carnívora.
Triste
é concluir que não somente explica como ratifica o argumento de que a ausência
de um exemplo é o incentivo maior à barbárie injusta na cadeia alimentar
imposta pelos humanos de forma racional e abrangência tragicamente universal.
Nesse contexto, só faltava a ingratidão que juntamente com a crueldade e a
insensibilidade formam uma trilogia assassina.
