quinta-feira, 26 de julho de 2012

- ARTESANATO COM PENAS – “A Arte que dá Pena”

 

Por   Omar Manzanares

Em nome da exibição e venda de artesanatos gerados pela cultura indígena grandes atrocidades são cometidas para a obtenção das penas que com sua variedade de cores geram um fascínio nas pessoas que buscam uma decoração diferenciada.

A infinidade de objetos representada por brincos, colares, cocares, transforma a beleza na cortina que esconde a forma cruel como foram obtidas as penas de psitacídeos usadas para decoração dos mesmos. Não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que essas penas foram obtidas sem o sacrifício cruel de um animal silvestre que era de uma beleza de encantar os olhos até que um predador nefasto e cruel invadiu sua floresta para matá-lo com o objetivo de extrair suas penas que após trabalho de um artesão inescrupuloso, passaram a ser admiradas numa das inúmeras feiras que são muito concorridas em passeios dominicais.

Turistas adquirem esses objetos com a naturalidade dos incautos. Afinal de contas, o que vale é retornar para suas regiões de origem com um objeto exótico para decoração de um ambiente, o que configura uma situação em que meios e fins são igualmente repulsivos.

O nosso mundialmente famoso Carnaval e outras festas que envolvem fantasias são na realidade um desfile da crueldade ornamental quando animais preciosos como araras e faisões são sacrificados para que uma fantasia seja premiada num concurso ou ovacionada pelo público, cabendo a ressalva que, felizmente, nem todas as fantasias são confeccionadas com penas.

É incrível que a forma de confecção da fantasia e seus detalhes sórdidos sejam ignorados em nome de uma manifestação cultural de natureza folclórica, pois absolutamente nada justifica o massacre dessas preciosidades vivas que encantam nossos olhos quando documentários são exibidos na TV mostrando as mesmas em seu habitat. São as jóias visuais da floresta.

A consciência ambiental pode ser expressa através da recomendação para que você, além de não adquirir esse tipo de objetos artesanais, exerça uma tarefa de convencimento para que amigos que incluem em suas horas de lazer uma visita a esse tipo de feira façam o mesmo. Trata-se de uma postura condizente com a bondade que está embutida na natureza de muitos seres humanos com exceção daqueles que de forma cruel e inconsequente se dedicam à confecção e venda do artesanato predatório.


Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal