quinta-feira, 26 de julho de 2012

- O MENINO JESUS E OS ANIMAIS


 

Este relato se inicia quando um velho mago da Fenícia (hoje Líbano),amigo de José, mandara ao menino Jesus o régio presente de uma ave-rei, de plumagem cor de púrpura, com um rendilhado azul celeste, coroada por magnífico penacho cor de ouro e aprisionada em bela gaiola de grades banhadas a prata, porém, o menino, comprovando seu desprezo pelos bens do mundo, numa exclamação de júbilo soltou a ave, sob a decepção dos pais.

Qual o futuro que a família de José poderia esperar para aquele menino bom, belo, correto, mas sonhador, ingênuo, contraditório e fujão ?

Seus familiares estranhavam seu excesso de boa fé e a indiferença diante dos perigos. Jesus penetrava nos bosques, surpreendendo as feras nômades que o fitavam inquietas e sem coragem de agredi-lo, ante a refulgência que percebiam no seu campo astral.

Nunca o menino Jesus usou de qualquer meio para matar um pássaro, destruir um réptil, um inseto ou um batráquio. Viam-no constantemente curvar-se para o solo e colher verme repelente na folha vegetal, para situá-lo fora dos perigos do caminho.

Ficava profundamente surpreso e comovido, sem compreender a origem de sua culpa, quando ouvia severas admoestações de Maria e José para que não arriscasse a sua vida inocente nos arvoredos envelhecidos em que subia para proteger os ninhos perigosamente pensos nos galhos rotos. Eram manifestações inúteis, pois tornavam a encontrá-lo depois entre o esvoaçar festivo dos pássaros que lhe arrancavam risos cristalinos e pareciam compreender o seu carinho para com os seus filhotes implumes.

Nunca se pôde matar qualquer ave ou animal na presença do menino Jesus. Esse espetáculo doloroso deixava-o abatido e enfermo, sendo demorada a sua volta para a vida comum. Nos brinquedos e folguedos costumeiros, qualquer perversidade cometida contra os animais tornava-o subitamente silencioso e com uma expressão de censura tão veemente no olhar, que muitos dos seus companheiros chegavam a se atemorizar. Mais de uma mãe chegou a dizer que o filho de Maria era “tocado” da cabeça.

Jesus, desde pequenino, revelou profunda repugnância pela carne. Quando, sob insistência, ele a experimentava, sempre sofria de choques anafiláticos e as consequentes urticárias. A família foi tratando de evitar pouco a pouco, substituindo o alimento. O astral demasiadamente instintivo e inferior do animal produzia tremendo impacto na tessitura delicadíssima do seu corpo etérico, desamornizando-lhe o sistema endócrino e produzindo um quimismo tóxico que provocava febre por alguns dias devido à queima necessárias das toxinas que invadiam o delicado organismo.

Jesus terminou os seus dias avesso à alimentação carnívora. No seu símbolo de ternura apostólica, ele parte um pedaço de pão e afirma:
“ Eis o meu corpo”. Mesmo na hora em que ofereceu singela ceia os apóstolos e que a tradição religiosa dramatizou para firmar mais um dogma, o Mestre ainda se decide pelo pão em lugar da carne, deixando imorredoura lição contra o péssimo hábito da ingestão de vísceras animais.

Ramatis – “Mensagens do Astral” – Editora Divino Mestre – 1956


 Por  Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal