Um papagaio agressivo pode representar uma grande oportunidade para você colocar em prática a sua paciência e ter a consciência de que o instinto de defesa não permanece na floresta. Ele acompanha o seu papagaio para onde você desejou que fosse o seu habitat. Entender esse princípio básico ajuda bastante a desenvolver uma compreensão paciente, afetiva e, principalmente, a não reagir com violência diante de uma investida cujo alvo é você.
Esse instinto de defesa é colocado em prática após você ter sido considerado um potencial “agressor” num processo de avaliação primário e típico da irracionalidade. A atitude mais prudente e sábia é um esforço para descobrir o motivo das investidas, as quais, se não forem objeto de uma atenção especial, podem se tornar um mau hábito se a percepção do seu papagaio detetar que através desses ataques passa a obter concessões por parte das pessoas que convivem com o mesmo.
A cautela diante de um papagaio que tende a morder com muita força é primordial. Aproxime-se sempre lentamente e sem movimentos bruscos, os quais exercem o papel de gatilho para disparar uma investida agressiva. Lembre-se que a confiança a ser depositada em você é uma questão de tempo e desenvolvida de forma gradativa. Os progressos, sem dúvida, serão motivos compensadores para que você jamais desista de fazer com que seu papagaio deixe de morder com força. A inteligência é um traço comum nos psitacídeos e a concepção do que é certo ou errado passará a integrar o comportamento do seu pet se o processo “didático” for executado de maneira adequada.
Ter em mente de que morder é parte implícita no comportamento de um papagaio conduz a uma reflexão sobre a intensidade da mordida. A menção óbvia de que eles não possuem braços e mãos não é descabida neste caso para entender o uso do bico para locomoção e manutenção do equilíbrio ao morder o objeto que funciona como um “auxiliar” e evita a queda.
O dedo da pessoa que pretende que o papagaio suba em sua mão pode funcionar como o “auxiliar” para acesso e manutenção do equilíbrio. Pode ocorrer também uma bicada no dedo para verificar a consistência deste dentro de uma iniciativa de brincadeira.
A disciplina e persistência do treinamento é muito importante para que seu papagaio tenha uma noção real sobre qual o tipo de mordida é aceitável e aquele que deve ser eliminado do seu comportamento.
Esse comportamento envolve um processo típico de comunicação através de mordidas para expressar uma vontade de natureza variada: ir ao “banheiro”, fome, retornar para a gaiola, cansou de estar ao seu lado naquele momento, etc ou uma situação de perigo representada, por exemplo, pela visão de um gato nas proximidades.
Entender a lógica irracional do comportamento significa não se surpreender de que você é considerado o “grande parceiro” e quando alguém se aproxima de forma rápida ele vai sair em sua “defesa” avisando do “perigo” que se aproxima. A bicada será o “aviso”.
Uma observação mais atenta das pupílas contraidas e cauda aberta pode funcionar como o grande alerta de que seu papagaio está naturalmente agressivo em certas fases de sua existência como o acasalamento. Certas “intimidades” como o transporte no ombro devem ser evitadas durante esse período, pois ele pode não querer sair desse local quando você deseja e uma bicada na orelha não está descartada.
Um treinamento eficaz através dos comandos “NÃO”, “DESCE”, etc será de grande utilidade para que seu papagaio seja contido na sua intenção de ataque, sempre lembrando que ao permanecer no seu ombro poderá ser gerada uma concepção de superioridade pelo fato do mesmo estar acima do nível dos seus olhos e, consequentemente, um comportamento dominante que implica em desobediência.
A manifestação de territorialidade para alertar eventuais “intrusos” para que estes devem se afastar do seu “território” é muito frequente. Esse alerta ocorre com as penas da cauda abertas e asas com abertura ao lado do corpo para configurar a postura para uma espécie de “dança”.
Brinquedos e objetos para exercitar o bico são elementares e a a falta destes poderá ser um dos fatores para mordidas frequentes. Móveis, cortinas,etc e inclusive mãos humanas podem ser um grande alvo para o exercício de mastigação
Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal
