Se Martin Luther King e John Lennon estivessem ainda entre os habitantes deste mundo imperfeito, com certeza seriam alvo de um pedido de permissão para que sonhos especiais fossem cultivados.
O burburinho dos anos 60 e 70, com certeza, direcionou a verbalização dos sonhos desses dois personagens de presença marcante no século XX para o despertar da espécie humana em termos de paz e a igualdade racial, porém, deixou em segundo plano os animais e nossos sentimentos em relação a eles.
Os eternos esquecidos, sempre martirizados pela crueldade em rodeios, caçadas e touradas ou pela sempre questionada necessidade de proteínas geradas no matadouro, não estão presentes em sonhos de aperfeiçoamento da espécie humana. Se sonhos raros nesse sentido existem, nada mais são do que uma exceção que cristaliza a regra.
Por que não inclui-los em nossos sonhos de nos tornarmos seres melhores, possuidores de uma índole que inclui a bondade ?
Será que é tão difícil assim concluir que um ser vivo que na floresta ou no lar é alvo de dor, fome, afeto maternal instintivo, enfim, sensações positivas e negativas que permeiam a espécie humana, pode ser incluido em nossos planos de boas ações ?
A consciência é filha do questionamento e da reflexão. Procure apurar a sua em gestos simples do seu cotidiano como um ato de carinho para com o cão abandonado, o pombo cuja vida às vezes depende da aceleração do seu automóvel e outras situações que definem o caráter de quem as decide.
Cultivar uma série de boas ações nesse sentido pode ser o início da lapidação da preciosidade da qual somos dotados: a racionalidade. Se voltada para o bem, poderá gerar experiências gratificantes para a nossa paz interior.
De que adiantam louvores às divindades se os mesmos não são endossados pelo amor a outras criaturas que dividem conosco este planeta?
É o remoer de pensamentos desse teor que podem nivelar as ações da prática religiosa com as do nosso dia a dia. Não há necessidade de ser um clone de São Francisco e fazer votos de pobreza para provar que somos especiais, pois talvez seja uma atitude não condizente com os dias atuais quando cada um tem a sua própria concepção do que é necessário para a sobrevivência.
Dar uma chance para a compaixão e deixar que a mesma norteie suas atitudes em relação aos irracionais indefesos poderá ser suficiente para que os que se miram no seu exemplo comecem a refletir.
O impulso inicial para uma mudança de atitude nesse sentido pode ser o grande argumento embutido na pergunta:
O que você teria a perder?
Por: Omar Manzanares
Assessoria de Imprensa para o Mundo Animal
